19 de Maio de 2012, 00:04

Autor Tópico: Os defensores da liberdade deste país  (Lida 2696 vezes)

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Offline Darkside

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Os defensores da liberdade deste país
« Online: 07 de Julho de 2010, 20:43 »
Proponho neste tópico postarmos textos e páginas da internet de divulgadores do liberalismo e do conservadorismo no nosso país.

A intenção é reunir endereços virtuais onde essas idéias são publicadas, acompanhando algum texto do autor ou de um dos autores como pequena amostra do conteúdo. Os sites e escritores mais famosos do assunto são facilmente encontrados via Google, por isso acho que seria muito interessante conter páginas pessoais de ilustres desconhecidos engajados nessa tarefa também.

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #1 Online: 07 de Julho de 2010, 20:47 »
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Havia livre mercado na Europa do século XVIII?

Aprendemos na escola e nos cursos de ciências sociais que havia “livre mercado” e estado mínimo na Europa e nos Estados Unidos até a grande crise de 29, que pôs em evidência a “insustentabilidade” do caótico mercado. Isso é falso.

Folheando A Riqueza das Nações, de Adam Smith, encontrei alguns trechos que eu havia marcado há muito tempo atrás. Veja:

   
(...) a política que vigora na Europa causa uma desigualdade bastante considerável na soma total de vantagens e desvantagens dos diferentes empregos do trabalho e do capital, restringindo a concorrência, em alguns empregos, a um número menor de indivíduos que, em outras circunstâncias, estariam dispostos a participar dela.


    Para esse propósito, os principais meios utilizados são os privilégios exclusivos das corporações.

    (...)

    Porém não se deve atribuir unicamente às corporações e a seus respectivos estatutos a superioridade que a atividade das cidades possui por toda parte na Europa; há ainda outras regulamentações que a mantêm: os elevados encargos que incidem sobre os produtos das manufaturas estrangeiras e sobre todas as mercadorias importadas por comerciantes estrangeiros. Os estatutos das corporações possibilitam aos habitantes das cidades aumentar preços, sem temerem a escassez das vendas por causa da livre concorrência de seus concidadãos, as outras regulamentações igualmente os asseguram contra a mesma concorrência dos estrangeiros.

Na verdade, Smith passa o livro inteiro citando estatutos de condados e leis aprovadas no ano x do rei Fulano ou da rainha Ciclana, regulando as atividades econômicas.

O fato é que sempre houve política do governo beneficiando alguns à custa de outros. Sempre.

Fonte: Blog Pró-libertarianismo - Diário intelectual pessoal e ativismo pró-libertarianismo

http://luizmariomb.blogspot.com/2010/06/havia-livre-mercado-na-europa-do-seculo.html

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #2 Online: 08 de Julho de 2010, 09:50 »
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Livre mercado para além do mercado

O homem é podre, um mentiroso e trapaceiro contumaz, que estupraria e mataria sem remorso se lhe fosse dada a possibilidade de fazê-lo sem ser pego. É apenas o medo da cadeia (foi-se o tempo em que o medo da punição divina valia para algo) que nos mantém a um passo da auto-destruição final. É isso mesmo?

Bom, então considere a seguinte situação. Semanas atrás, precisei de um adaptador de tomada (graças ao novo padrão imposto pelo governo para sanar um problema inexistente). Fui até uma lojinha de material elétrico próxima, mas eles não tinham; o vendedor me indicou uma outra loja na rua. Notem, ele não precisava ter feito isso; essa outra loja é sua concorrente em vários serviços. Fui à nova loja, e vi que o melhor era comprar logo uma tomada nova. Só não sabia se era uma de 10 ou 20 amperes. Solução? O vendedor me deixou levar a de 10, testá-la e, se não fosse, trocar pela de 20. Novamente, algo que ele não precisava ter feito.

Ações que, no curto prazo, parecem danosas à loja (vender uma tomada ao invés de duas), no longo prazo compensam (ganhar a confiança do cliente). E são fatos absolutamente banais e corriqueiros no mercado, como qualquer um sabe. Os homens não são crápulas sempre à procura de uma oportunidade de engambelar o incauto. O nosso modo de vida é baseado na cooperação, e essa não é forçada ou dissimulada, mas voluntária e em geral sincera, caso contrário não funcionaria. A idéia do egoísta esclarecido que se comporta exatamente como um homem bom exclusivamente por motivos egoístas é um mito; caráter e ações não são realidades separadas. O mercado é exatamente o processo pelo qual essa ajuda mútua é facilitada e incentivada, pois harmoniza o bem de cada um com o bem dos demais. A confiança e a confiabilidade são remuneradas, e as práticas anti-sociais punidas.

Claro, isso não garante que todos serão bons. A minha compra de tomada estava, por exemplo, ligada à compra de uma lava-louça cuja instalação deu um enorme problema, custando muito tempo e dor de cabeça em conversas frustrantes com o SAC da empresa. E isso se explica. Empresas grandes têm que ter uma política padronizada de trocas e outros serviços gratuitos para impedir que, de pequenas decisões generosas de muitos vendedores e atendentes, emirjam grandes prejuízos. Mas mesmo nelas, na medida em que têm que sobreviver no mercado, o que prevalece é a cooperação. Vejam só: saindo uma vez do caixa do McDonalds com o almoço na bandeja, derrubei o refrigerante no chão. Qual a reação dos atendentes? Deram-me um novo. Eles sabem que brigar por migalhas é prejudicial para eles próprios, mesmo que isso lhes custe uma Coca. E até no caso da lava-louça, no final das contas, a empresa responsável pela instalação forneceu a peça nova.

São exemplos casuais - cada leitor terá vários - que ilustram um fato antropológico e moral. O homem não é um calculista a espera da primeira oportunidade de passar a perna. Quem age assim prejudica a si mesmo; confiança e boa vontade são características muito difíceis de se dissimular ao longo do tempo, e constituem parte importante do capital humano. Quanto menos confiança, mais advogados, juízes, contratos, e menos possibilidades de transação; tudo isso tem um custo, não apenas monetário. Por outro lado, boas relações resolvem problemas de ambos os lados e deixam todos felizes, criando laços de boa vontade. Como Aristóteles já apontara, o fazer negócios juntos, a harmonia de utilidades, estabelece entre as partes um tipo de amizade.

A cooperação livre entre os homens é um fato; é um fenômeno que emerge naturalmente, sem qualquer necessidade de uma autoridade estatal para regular, controlar, medir e definir (o que só congela e endurece o que deveria ser fluido e flexível para melhor se adaptar às infinitas circunstâncias dos homens). E essa cooperação se dá em todos os níveis da sociedade; não é privilégio da “elite”, embora seja isso mesmo que vai acontecer se o governo continuar a dificultar e proibir a existência de versões mais baratas e populares; se o padrão mínimo legal for o Golf, não existirão nem Gols, nem Fuscas, nem Brasílias; mais gente andará a pé.

Mais um exemplo banal: um dia, indo para o aeroporto, vi num trecho ao lado esquerdo da marginal, acho que junto a uma rampa, barracos num espaço muito estreito. Um deles, apertado entre os demais, era uma barraquinha de comes e bebes. Está aí a força vital do espírito humano, que não deixa de inventar soluções nem sob as condições mais inóspitas. A condição do lugar era, para nossos padrões, deplorável; mas aquela barraquinha tornava-a um pouco melhor. Não seria um crime matá-la com regulamentações as quais, obviamente, o dono nunca seria capaz de obedecer? Pois o momento em que um fiscal do governo passasse por lá seria o momento em que aquele pequeno oásis deixaria de existir. Ainda bem que o governo não vê tudo, e que existe a corrupção! Imagine se as regulamentações e tributos do país fossem seguidos sempre e à risca; camelôs, vendedores piratas e, enfim, todo o mercado informal, que beneficiam tantos consumidores e empregam tantos trabalhadores, sumiriam. Hoje em dia, eles funcionam fora da lei; e - surpresa! - funcionam. Sem decretos políticos, sem vereadores e deputados inúteis, o Promocenter ia muito bem obrigado.

Quando o dinheiro sai da jogada, fica ainda mais claro. Vejam o couch-surfing: pessoas disponibilizam suas casas para viajantes se hospedarem de graça, e sabem que, quando viajarem, também encontrarão pousada. O único sistema de controle são as opiniões dos próprios usuários publicadas no site. Qualquer um pode se cadastrar. E adivinhem: funciona muito bem, como um amigo meu que já hospedou gente do mundo inteiro pode garantir. Haveria algo mais contrário ao espírito dessa rede do que se o governo decidisse “regulamentá-la”, criando requisitos mínimos para as casas (“devem ter pelo menos dois banheiros e um sistema de combate a incêndio certificado”) e para os viajantes (“devem enviar, duas semanas antes da visita, cópia autenticada do passaporte e trazer inventário da bagagem pessoal”)? A quantos seriam reduzidos os membros dessa comunidade vibrante? Pois a mesma destruição burra ocorre em tantos outros serviços; a diferença é que estamos acostumados e não percebemos o quão melhor eles poderiam ser. Por que absolutamente todo estabelecimento comercial deve ter uma lixeira na frente? Por que um shopping precisa de 5% de vagas para idosos? Por que toda vitrine deve ter tarja sinalizadora? Soluções pontuais são transformadas em imposições ossificantes; o que é inteligente em alguns casos pode ser estúpido se transformado em lei universal.

Trata-se de um problema de mentalidade, que afeta todos os políticos, burocratas, legisladores, advogados e engenheiros sociais que acreditam que suas definições mal-escritas num pedaço de papel criam e ordenam as relações humanas; quando na verdade as corrompem e destroem. A imensa maior parte da classe política brasileira não só é inútil como prejudicial à nação. Ao invés de punir os crimes (roubos, fraudes), querem prever e delimitar o que é mutuamente benéfico, limando de imediato todas as manifestações que escapam a seu olhar estreito.

O número de impostos, de encargos, de regulamentações e de regras aos quais estamos sujeitos (e mesmo assim, pode ter certeza que se um fiscal quiser, ele encontrará alguma infração - são 85 tributos e dezenas de milhares de leis) não nos afetam apenas na “esfera econômica da vida”, como se a vida humana fosse divisível em partes estanques, e como se o trabalho e o consumo fossem realidades menores, de pouca importância. A guerra de independência americana foi travada por muito menos. E ainda se acredita na mentira de que a liberdade interessa aos ricos. Isso é falso. O liberalismo econômico não é o sistema das grandes empresas, dos grandes bancos, dos tecnocratas. Claro, algumas grandes empresas seriam beneficiadas com um mercado mais livre; mas elas não seriam as maiores ganhadoras, mesmo porque muitas recebem ajuda do governo, seja direta (concessões, subsídios) ou indireta (as regulamentações infinitas e encargos pesados que impedem a existência dos pequenos). O principal beneficiário do liberalismo é todo homem honesto em suas relações cotidianas, que estão cada vez mais burocratizadas por um sistema desumano que demanda sempre mais recursos para se sustentar.

Ser livre significa, enquanto consumidor, poder escolher aquilo de que mais gosta na gama de preços e qualidades compatível com sua própria renda; enquanto produtor, poder trabalhar no que quiser, e prover que serviço quiser, da melhor forma que souber, sem que ninguém lhe impeça; e, enquanto ser humano, viver de acordo com o que se considerar o melhor sem ser impedido por ninguém e sem impedir ninguém de fazer o mesmo. Sem precisar de aprovação por qualquer órgão que seja, apresentar documento algum e nem emitir nota fiscal, pois o fisco não tem direito nenhum de saber o que você faz da vida e muito menos de puni-lo se for bem-sucedido. A liberdade permite que, ocasionalmente, alguém aja mal? Sim. E para alguns desses casos (os que violem direitos alheios) existem as leis e os tribunais. Mas, e isso é muito mais importante, é só ela que permite que os homens ajam e vivam bem, e que criem soluções novas e adaptem antigas para seus problemas e melhorem todas as esferas (não apenas a econômica, o comércio e a venda de ações) de sua existência.

Fonte: blog Terra à Vista - Economia e Filosofia com os pés no chão

http://tavista.blogspot.com/2010/06/livre-mercado-para-alem-do-mercado.html

Offline Herf

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #3 Online: 08 de Julho de 2010, 20:38 »
A diminuição das funções do Estado
26 26UTC March 26UTC 2010 at 3:28 pm | Posted in Uncategorized | Leave a Comment

Talvez a maior conquista dos estatistas nas últimas décadas seja a disseminação da ideia de que o Estado pós-moderno perdeu força, diminuiu  suas prerrogativas e funções frente o avanço da globalização e dos capitais.

Imbuídos dess ideia, as pessoas começam a valorar cada função do estado, como se fosse a última, pequena, mínima – Aí, se um indivíduo pede o afastamento do Estado de uma ou outra função, a trupe se mobiliza: “Mas o Estado, coitado, já está tão afastado de tudo! Hoje o Estado já não tem poder em nada! Não apita nada… Já não há soberania… Os capitais fazem o que querem! É preciso manter ao menos x, y ou z”. (e na lista pode vir qualquer coisa).

Eu acho que as pessoas que acreditam nisso nunca leram um orçamento ou um plano de ação governamental. Toda vez que abro essas coisas – o que é quase todo dia – fico nessa angústia de quem vê, por exemplo, que o Estado de Minas gastará R$ 1.600.000,00 para realizar 18 eventos no Espaço Minas Gerais, uma simpática mansão em São Paulo, destinada a divulgar os destinos turísticos de Minas Gerais.  Destinos esses, aliás, que também são elaborados pelo governo. Serão R$ 8.982.000,00 gastos esse ano, entre outras coisas, em planejamento estratégico e marketing para formatar destinos turísticos no estado e para promover a venda desses destinos em agências de turismo. Então o estado é responsável por 1- descobrir potencialidades turísticas, 2- organizar a exploração desses potenciais. 3- capacitar agencias de viagem para comercialzar esses produtos.

Como se vê, são de fato pouquíssimas funções, das quais com certeza não se pode abrir mão, sob pena de se perder a soberania. Imaginem, quem é que irá criar e divulgar destinos turísiticos se o Estado não o fizer? Será, verdadeiramente, o caos. A anarquia! Realmente, não podemos abrir mão desse fomento.

http://lucianalopes.wordpress.com/2010/03/26/a-diminuicao-das-funcoes-do-estado/

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #4 Online: 10 de Julho de 2010, 00:31 »
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22.06.2010 - 22:03
Liberais são pró-mercado, não pró-empresas (e o que isso tem a ver com o vazamento da BP)

Artigo de minha autoria, publicado no Ordem Livre, em que analiso as repercussões do enorme vazamento de óleo da BP aqui nos EUA e quais os papéis que eu vejo para a atuação do governo e do mercado nesse caso:

———————–

Liberais são pró-mercado, não pró-empresas (e o que isso tem a ver com o vazamento da BP)

por Renato Lima

Popularmente, no Brasil, acredita-se que os intervencionistas estão do lado dos consumidores, e os liberais, das empresas. Essa visão decorre da imagem de que as intervenções são feitas para proteger o consumidor da liberdade de empresa, que colocaria o cidadão comum refém das grandes corporações. De um lado estaria quem defende maior regulação — como aumento da oferta de serviços e preços controlados, exemplo — contra o outro lado, que defenderia a liberdade da empresa definir seus preços e ofertar serviços diferenciados, por exemplo.

Esse raciocínio é errôneo, porque intervenções podem não proteger o consumidor e ainda provocar a falta de concorrência no mercado, piorando a situação do cliente final. Além disso, o liberal sabe que a melhor proteção para o consumidor é a maior oferta de serviço, combinada com um estado que funcione no cumprimento de contratos. Ainda que um intervencionista seja bem intencionado — que queira, de fato, beneficiar o consumidor — muitas vezes ele falha em só ver a parte afetada e não calcular os custos da decisão e o aumento da barreira de entrada para novos competidores.

Entretanto, alguns liberais incorrem num outro erro: a de militar na frente pró-empresas. Talvez por saber do perigo que é o poder do estado, acreditam que devem sempre estar do lado das empresas. E é nessa linha de raciocínio que desejaria falar sobre o derramamento de óleo da BP nos EUA.

Milton Friedman lembrava, quando criticavam a atuação de alguma empresa em qualquer setor (bancos, automóveis etc), que ele era pró-mercado e não pró-empresas. Ainda que o melhor sistema seja ter liberdade de atuação, isso não quer dizer que todos que vão atuar no mercado serão virtuosos. O que isso garante é que o mercado punirá aquele que ficar parado e não inovar, não gerar valor para os acionistas e clientes.

Vi muita gente que se diz aliado à defesa da economia de mercado criticar o governo americano pela recente retórica contra a BP. Os argumentos vão da ideia de que o governo não saberia tapar o vazamento, e portanto não teria como se meter no assunto, a que está usando a crise para avançar uma agenda intervencionista. Afirma-se também que seria um erro decretar uma moratória na perfuração em águas profundas, pois isso colocaria em risco milhares de empregos.

No mundo ideal libertário, com direitos de propriedade perfeitamente definidos e custos judiciários desprezíveis, não seria necessário governo para resolver o problema. Os setores turístico e pesqueiro, alguns dos mais afetados, negociariam as compensações diretamente com a BP. Mesmo assim, é incerto quem poderia representar os direitos e interesses de todos os animais afetados. Dada a profunda externalidade negativa da atividade petrolífera em alto mar, uma ação de governo é esperada nesse caso, como na compensação dos custos.

De fato, o governo americano até o momento é mais culpado de omissão e fraqueza em relação à BP do que qualquer outra coisa. E a moratória na perfuração em alto mar faz todo o sentido. Em depoimento ao Congresso, executivos de companhias de petróleo reconheceram não estarem preparados para um vazamento como aconteceu com a BP. Ou seja, sabem furar e tirar petróleo, mas não há garantia de que se houver um vazamento vão conseguir conter os danos em tempo hábil.

Com a crescente escassez de reservas de petróleo de fácil acesso e baixos custos de operação, o preço do petróleo tende a subir. Sim, pode existir muito petróleo em alto mar, como no pré-sal brasileiro, mas há custos e riscos operacionais crescentes, fatores que precisam estar embutidos no preço do óleo. Ter o governo ajudando esse tipo de produção – seja subsidiando diretamente, seja fazendo pouco caso das devidas compensações aos empresários afetados e danos ambientais – é apenas uma forma de distorcer a melhor alocação de recursos que o mercado pode providenciar, como o investimento em energias alternativas. Ser pró-mercado, nessa situação, como eu entendo, é exigir do governo (e judiciário) a devida punição a empresas que atuaram sem precificar adequadamente o risco de operação.

A situação americana é muito ruim, mas espera-se que as partes envolvidas apenas façam o seu papel. O governo ajudando na limpeza e cobrando as compensações a BP e a BP limpando o caixa para pagar o que é de direito das partes afetadas. Não apenas o caixa, mas também sofrendo a queda na reputação. Mas poderia ser pior. Imaginem o que pode acontecer em caso de um desastre ambiental em que exista um conflito de interesse, em que governo e operadora de petróleo sejam uma mesma máquina. E é assim que foi aprovado o novo marco regulatório do pré-sal brasileiro, com a Petrobras operadora de todos os campos.

http://www.cafecolombo.com.br/2010/06/22/liberais-sao-pro-mercado-nao-pro-empresas-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-o-vazamento-da-bp/

O autor está falando do vazamento de um poço de petróleo no Golfo do México.

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/depois-mes-vazamento-bp-comeca-selar-poco

DDV

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #5 Online: 10 de Julho de 2010, 08:30 »
Eu não costumo confundir os liberais (dos quais eu me considero parte) com a Escola Austríaca. Mas muita gente mistura ambos.




Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #6 Online: 10 de Julho de 2010, 21:46 »
Eu não costumo confundir os liberais (dos quais eu me considero parte) com a Escola Austríaca. Mas muita gente mistura ambos.





Liberais e anarco-capitalistas partilham de muitos conceitos em comum sobre liberdade.

Creio que a maioria dos anarquistas razoavelmente esclarecidos são pragmáticos e acabam muitas vezes assumindo posições do liberalismo em que pessoas como eu e você acreditamos, até sem perceber.

Offline famado

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #7 Online: 10 de Julho de 2010, 22:17 »
Segue o meu texto no O Globo, hehe:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/04/26/quem-de-direita-916429712.asp

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É engraçado como não existem mais políticos de direita no Brasil. Ou melhor, não há mais políticos que admitem ser de direita. Todos se dizem de esquerda, centro-esquerda ou coisa parecida. As ideias de esquerda se espalharam pela realidade político-ideológica do cenário brasileiro, pelo menos em teoria, embora o comunismo, berço do esquerdismo mundial, tenha naufragado desde sua origem. Nasceu com Marx e desde então veio morrendo, sendo enterrado em 1989, com a Glasnost e a Perestróica do Mikhail Gorbatchev. Hoje vive como zumbi em Cuba e tem alguns admiradores importantes aqui no Brasil, os políticos do PSTU, PCdoB, PSOL e outras bizarrices, sem contar o Lula, que de vez em quando vai a Havana dar um abraço nos irmãos Castro, o funcionalismo público e a classe universitária, formada de jovens sonhadores sem ainda muito compromisso com a "realidade nua e crua da vida financeira independente dos pais".

E quanto à centro-esquerda? O que dizer a seu respeito? Bem, no Brasil ela é formada de quase todos os demais partidos. PT, PSDB e PMDB são os mais proeminentes no momento, onde o primeiro e o último dicotomizam o poder há 20 anos e o do meio se alia a qualquer um dos dois conforme quem estiver melhor na foto.

É engraçado também como as pessoas passaram a encarar direitismo como um defeito. Não chame ninguém na rua de liberal, neoliberal ou coisa parecida, pode dar uma briga feia. Talvez seja melhor xingar-lhe a mãe. Veja o atual sindicalismo brasileiro, que hoje participa do poder junto do governo Lula, vive acusando uns e outros de neoliberais. Nos diversos jornalecos dos vários sindicatos, sempre que não se consegue avançar nas negociações dos acordos coletivos, os pelegos logo acusam os negociadores das empresas de serem neoliberais e estarem a serviço da direita.

E o que dizer dos dois candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas de opinião? Serra é centro-esquerda, posto que se trata de um dos fundadores do Partido da Social Democracia" Brasileira. O que seria uma social democracia senão mais uma forma esquerdista de governo? Dilma também é de esquerda, alíás, é um expoente da esquerda radical do Partido dos Trabalhadores, e vive se gabando de ter sido torturada pela ditadura militar.

Haveria alguém de direita no Brasil? Bem, de direita, direita mesmo, acho que ninguém se assume, posto que a idéia de extrema-direita está ligada a figuras impopulares como a do francês Jean-Marie Le Pen e do satanizado Adolf Hitler, racistas reconhecidos e rechaçados pelo gosto popular. Então sobraria a centro-direita. Daí, poderíamos enquadrar os partidos que derivam da antiga Arena e que hoje seriam o DEM e o PP. Contudo, estes partidos se autodenominam de centro e vêm perdendo expressão há anos. O Democratas se associou ao PSDB e respira por aparelhos após o caso Arruda. O PP foi ativo quinhoeiro do mensalão, ao lado do PT, e eventualmente participa do governo. Enfim, não há ninguém que se salve. Não há nenhum partido e não há nenhum candidato que defenda a economia de mercado, a desestatização, a diminuição da máquina governamental, embora todos tentem praticá-los após serem empossados. Temos um monte de políticos travestidos de esquerda que em seus íntimos sabem que vão praticar o capitalismo, posto que, embora seja uma política econômica muito ruim, ainda não inventaram nada melhor.

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #8 Online: 13 de Julho de 2010, 14:48 »
Passo a postar agora textos do grande Acauan Guajajara sobre o assunto, publicados no fórum Religião é Veneno.

Citação de: Acauan, em 02/12/2006 às 13:02
Citação de: RicardoVitor
Conservador é o oposto de progressista, não? Já procurou no dicionário?
Prefiro procurar nos fatos, por exemplo comparando o progresso efetivo da Grã Bretanha sob um governo chamado conservador como o de Margaret Thatcher com o obtido sob governos trabalhistas que a antecederam.

Dicionários registram o sentido do termo referendado pelo costume, o que não tem nada a ver com a realidade política-econômica ora em discussão.

Mesmo porque, o fato de alguém ou determinado grupo auto-denominar-se progressista não transforma automaticamente em virtudes possuídas as acepções positivas que Aurélio e Houaiss dão ao adjetivo.

No mais, conservador não é, nem no sentido político e nem na acepção da palavra, oposto de progressista.
Exceto, claro, nos casos em que o sentido político e a acepção da palavra estão atreladas a determinada interpretação ideológica.

Menos errado é dizer que conservador é o oposto de revolucionário. Digo "menos errado" porque dificilmente se definirá com acerto idéias do tipo a partir de seus opostos.

O conservadorismo não é oposto ao progresso, apenas defende que o progresso deve conservar certos valores, dentre os quais a liberdade e a auto-determinação do indivíduo, o reconhecimento da pessoa humana individual como precedente ao Estado e os direitos inalienáveis do Homem à vida e à busca da felicidade, como escreveu um certo revolucionário, provando o que disse sob o risco de se definir a partir de opostos.

A liberdade econômica, da qual o direito à propriedade privada é uma consequência natural, é apenas um dos aspectos de um dos valores que o conservadorismo entende que devem ser preservados.

Quem for contra tais valores, que atire a primeira pedra e prove que negá-los prejudica o progresso de alguma forma, de preferência explicando como.

Doutrinas ideológicas revolucionárias desprezam tudo isto em defesa da construção de uma futura sociedade perfeita que ninguém sabe, ninguém viu e quando foi tentada deu no que deu.


Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #9 Online: 13 de Julho de 2010, 14:50 »
Citação de: Acauan, 10/07/2009 às 23:07
Ayn Rand é um daqueles pseudo-intelectuais cujo único conteúdo é ar quente e bazófia.

As forças que sustentam a coesão das sociedades são estudadas e descritas desde Platão e Confúcio até os Iluministas e..., que seja, marxistas.
Se Rand propõe algo diferente e alegadamente mais racional do que a síntese dos trabalhos de todos estes autores, deveria começar selecionando alguns pensadores principais de cada época e demonstrando como e porque suas proposições são melhores que as deles.
Ao contrário, ela opta pela alternativa espertalhona de lançar o desafio de comparar o mundo real e conhecido de hoje, resultante da aplicação destas filosofias, com o mundo proposto por ela, que só existe na cabeça dos que acreditam naquelas patacoadas.

Seria interessante vê-la, por exemplo, contestar as explanações de Weber sobre como o capitalismo liberal precisa de um substrato moral forte para se estabelecer – dado ser um sistema que encontra seu ótimo na confiança mútua de que contratos serão cumpridos. Poderia-se até alegar que tais comunidades depositam voluntariamente sua confiança mútua com fins egoístas, como ela propõe, só que Weber conclui o oposto, que é a moral cristã e o senso de obrigação com a comunidade derivada dela que cria este ambiente fértil para o liberalismo econômico, justamente aquilo do qual a dona fala contra.

E não é difícil encontrar este mesmo discurso de Rand, em outros formatos, em um Spencer e um Nietzsche, sendo idéia de jerico defender que alguma sociedade que presta poderia sair daquilo.

http://www.rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=19432&p=389682&hilit=liberalismo#p389682

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #10 Online: 13 de Julho de 2010, 14:58 »
Citação de: Acauan, em 14/06/2009 às 18:50
Citação de: Lordakner
As cruéis guerras da época da formação do capitalismo deixaram uma mancha inapagável na história europeia. Entre elas, a Guerra dos 30 Anos (1618-1648), no século XVII, no decurso da qual foi exterminada quase um terço da população da Alemanha, na qual teve um papel decisivo o regime monárquico de Gustavo Adolfo da Suécia. A Guerra do Norte (1700-1721), desencadeada pelo rei sueco Carlos XII. A Guerra da Sucessão espanhola (1700-1714), entre a França, Espanha e Áustria. A Guerra dos 7 Anos (1756-1763), iniciada pelo rei prussiano Frederico II. As Guerras Napoleónicas (1880-1815), que afundaram toda a Europa no caos e foram a causa da morte em massa da população civil, de assassinatos e execuções de milhões de pessoas, destruição de monumentos nacionais, etc..

Agora me cite um único governante deste período que ordenou direta e expressamente o genocídio de seu próprio povo.
Nenhum?
Claro, pois isto é exclusividade dos regimes comunistas, que para além do mal das guerras e violências que fustigaram toda História, inventaram e se tornaram detentores exclusivos da política de matar sistematicamente seus governados.


Citação de: Lordakner
O imperialismo existe em duas variantes: liberal e totalitário-fascista. Distinguem-se pela forma de organização política, mas a base económica das duas é a mesma: a manutenção do bem-estar próprio, à custa da exploração de outros países e povos. Como testemunha a história, o liberalismo degenera com facilidade no fascismo do tipo alemão ou italiano, ou na sua variante, o maccarthismo norte-americano. Os regimes fascistas, frequentemente, dão-se bem com a economia liberal e beneficiam de apoios de todo o género dos liberais, como se pode exemplificar com o fascismo de Pinochet no Chile.

Que festival medonho de mentira e ignorância.
O fascismo, por definição e como expresso por Benito Mussolini, é o regime que prega "tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato", sendo, também por definição, o oposto de liberalismo.
A obra base de referência nos meios acadêmicos, Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, define o fascismo como movimento revolucionário, uma ruptura política, ao contrário do que foram ditaduras de direita como as de Franco e Pinochet que eram restauradoras na essência – Franco restabeleceu a monarquia parlamentarista democrática espanhola e Pinochet a república democrática do Chile. Isto, obviamente, não escusa estes regimes dos crimes que cometeram, mas os diferenciam dos regimes fascistas cujo objetivo revolucionário é construir uma nova sociedade fundamentada na idéia coletivista de nação, opositor, porém análogo, ao conceito coletivista marxista de classe.


Citação de: Lordakner
Os crimes do nazismo e do fascismo foram condenados e castigados pela comunidade internacional. Os crimes dos chamados regimes liberais, até ao dia de hoje, não receberam a devida valorização e a comunidade mundial, amiúde, está mal informada sobre as malfeitorias cometidas por eles.

Nota-se a repetição de referências genéricas e anônimas.
Enquanto os crimes comunistas tem nome, endereço, RG e telefone, os alegados "crimes do regime liberal" são apresentados como uma abstração ideológica.


Citação de: Lordakner
Os crimes do imperialismo são diferentes em função do país e do período histórico. Incluem assassinatos e execuções maciças, criação de campos de extermínio, fome, deportações, torturas, trabalhos forçados, bem como outras formas de terror. A sua responsabilidade é enorme, também na destruição das bases da existência de muitos estados e nações. Pela violação de princípios fundamentais da moral social, tradições nacionais e valores culturais. Pela criação de crises sócio-políticas e espirituais no mundo.

Já que o proponente não dá nome aos bois, darei.

O regime europeu mais opressor durante o século XIX foi o do rei Leopoldo, da Bélgica, cuja exploração colonial do Congo foi expressão pura de horror tirânico contra a população nativa. Ocorreu que tais violências despertaram a reação das demais potências européias, o que levou o governo belga a refrear sua política desumana, processar e prender os oficiais acusados de atrocidades.
Mesmo na Europa do século XIX, racista e colonialista, o terror belga suscitou escândalo, reação e correção.

Comparativamente, toda ação belga no Congo, a pior e mais brutal do colonialismo europeu, ao longo de décadas não produziu uma ínfima fração dos mortos, escravizados, torturados e aprisionados dos regimes comunistas em apenas um ano.

Obviamente ninguém decente aprovaria as ações do rei Leopoldo, mas é simplesmente repulsivo ver gente defendendo Mao Tse Tung e o regime comunista chinês, que produziram mal em escala milhares de vezes maior, sem jamais produzir qualquer tipo de escândalo contentor entre seus correligionários ideológicos.


Citação de: Lordakner
Os custos ecológicos e sociais da chamada política liberal de mercado dos países ocidentais sentem-se em todo o mundo, o que provoca um incremento brutal dos padecimentos de dezenas de milhões de habitantes do nosso planeta. Agrava-se a escandalosa injustiça nas relações internacionais, antes de mais na divisão do trabalho, imposta pelo diktat das potências ocidentais. Isto levou a que, nos últimos dez anos se agudizasse, de um modo sem precedentes, o problema da fome. Os indicadores da mortalidade infantil por causa da fome alcançaram, segundo dados da ONU, um nível nunca antes visto: 17 mil mortos por dia. No total, 25 mil pessoas morrem de fome diariamente. Hoje em dia, 777 milhões de pessoas, em países dependentes de regimes liberais, e 38 milhões em países onde se instauraram à imagem das democracias ocidentais, sofrem de fome. Mesmo nos "livres e democráticos" EUA morrem por ano, não menos de 1.800 norte-americanos, pelo simples facto de não terem seguro médico.

Mais dados genéricos desfiados em discurso panfletário.

A realidade pode ser aferida por qualquer um que acesse o Google.

Quanto à fome no terceiro mundo, o empreendimento capitalista conhecido como "revolução verde", liderado pelas pesquisas do dr. Norman Borlaug e patrocinadas pela Fundação Rockefeller, mais que dobraram a produção de alimentos na India e livraram aquele subcontinente da fome epidêmica, salvando, nas últimas quatro décadas, centenas de milhões de vidas.
Naquela mesma década de 60 em que a India começava a se livrar da fome, a China comunista promovia seu Grande Salto para Frente, que teria por resultado a morte de dezenas de milhões de seres humanos por inanição.
Hoje, o campeão de mortes por inanição na Ásia é a Coréia do Norte comunista, cujos governantes comunistas vivem em luxo ostensivo, passam o poder de pai para filho e gastam os parcos recursos do país miserável na fabricação de bombas atômicas, enquanto a Coréia do Sul, capitalista e que partiu das mesmas condições de seu vizinho acima do paralelo 38, é um oásis de prosperidade, tecnologia e progresso.

Outros tantos exemplos como este, específicos, datados, verificáveis a qualquer um que jogar as palavras chave no Google, podem ser citados.

Aos propagandistas do terror, opressão e fome, resta o discurso panfletário de gente como Michael Moore, que pode ser desmentido por uma simples comparação proporcional entre o número de mortos por questões de sistema de saúde nos Estados Unidos da America e no Canada, o país que o balofo mentiroso tem como modelo.

Mas isto é para gente interessada na verdade, coisa que passa longe léguas dos comunistas.

http://www.rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=18726&p=387263&hilit=liberalismo#p387263

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #11 Online: 13 de Julho de 2010, 15:04 »
Citação de: Acauan. em 28/04/2009 às 10:14
Citação de: Huxley
Eu nunca entendi esta história que um esquerdista obrigatoriamente tem que ser um ursinho carinhoso paladino da solidariedade. Existem ou existiram esquerdistas safados? Claro. Che Guevara e Josef Stalin foram bons exemplos disto, embora o primeiro tenha misturado alguma solidariedade de trabalho comunitário com sangue de negacionistas de revolução. Mas também é claro que existem direitistas safados, incluindo aí liberais. Claro, se estamos falando em safados, todos eles usam a doutrina política favorita como hobby de criação de valor para esconder seus interesses pessoais. Possuir um rótulo de seguidor de uma doutrina política específica não garante status de intelectualidade e integridade moral para ninguém.

Esta linha de pensamento abre espaço para interpretações perigosas.

Se é verdade que "possuir um rótulo de seguidor de uma doutrina política específica não garante status de intelectualidade e integridade moral para ninguém", também é verdade que algumas doutrinas políticas específicas OBRIGATORIAMENTE garantem aos seus seguidores o status de criminosos, efetivos ou em potencial.

Dizer que há direitistas e liberais safados oculta a contrapartida de que não existem nazistas decentes, por exemplo.

Doutrinas políticas não são simplesmente rótulos, principalmente as extremistas, que estabelecem sua própria cosmovisão e a partir dela sua própria definição de indivíduo, moral e direito.

Isto, claro, não pode ser resumido na divisão simplista das ideologias entre "de direita" e "de esquerda", que, dentre outras distinções históricas, hoje diferencia cada lado com relação ao status quo sócio-econômico conforme a idéia de cada sobre o ponto de equilíbrio ideal entre direitos individuais e coletivos.

O potencial e o efetivo criminoso das ideologias só pode ser contido pela aceitação de determinadas premissas como supra-ideológicas, como as liberdades e garantias individuais.
Sem isto, vida, liberdade e busca da felicidade se tornam apenas concessões de quem está no poder.

É isto que diferencia Stalin e Guevara das pessoas decentes e não o seu "rótulo esquerdista", uma vez que seriam monstros do mesmo nível se seu extremismo fosse de direita.

E é isto que diferencia liberalismo de comunismo revolucionário e outras doutrinas totalitaristas.
O liberalismo tem como premissa que a liberdade e as garantias individuais precedem a e estão acima da ideologia, enquanto o comunismo revolucionário entende que a ideologia define o que é liberdade e o que são garantias individuais.

Daí para matar dezenas de milhões é um passo.

Quando o mais safado dos liberais se torna um tirano, deixa automaticamente de ser um liberal, por definição.
Quando o melhor dos comunistas revolucionários se torna um tirano, passa a ser o único com o poder e direito de decretar quem é o que, segundo os preceitos de sua ideologia.


Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #12 Online: 13 de Julho de 2010, 15:06 »
Citação de: Acauan, em 25/04/2008 às 12:06
E já que estamos no assunto, é impressionante a ignorância e leviandade com que classificações políticas são atribuídas conforme interesse ou gosto pessoal, sem a mais mínima preocupação em fundamentá-las em alguma definição aceita que as justifique.

Por exemplo, um notório completo idiota que espalha bobagens por este fórum gosta de dirigir aos desafetos a acusação de "liberais fascistas", sem se dar conta da estupidez que é incluir na mesma classificação posições políticas essencialmente opostas entre si, uma vez que o fundamento do liberalismo é a resistência ao poder do Estado, enquanto fascismo É poder do Estado.

Muita gente gosta de falar em direita e esquerda sem parar muito para pensar no que isto representa na teoria e na prática.
Associar esquerda ao comunismo e direita ao capitalismo é insuficiente.
O governo chinês fez reformas capitalistas na economia, mas ninguém há de acusar os mandarins vermelhos de direitistas.

Prá encurtar o assunto e ser didático com quem não sabe e quer saber, a agenda da direita democrática moderna é:

- Entendimento de que a consciência humana reside e se manifesta no indivíduo e não no coletivo social abstrato, logo é para o indivíduo que devem ser criadas, mantidas e melhoradas as instituições que lhe garantem a liberdade e direitos fundamentais, providos ao indivíduo na mesma proporção do respeito exigido à liberdade e direitos dos demais;

- Império da Lei;

- Democracia política com sufrágio universal, independência de poderes, pluripartidarismo e revezamento no poder;

- Liberdade de imprensa, de pensamento, expressão e religião;

- Economia capitalista, fundamentada na propriedade privada e no livre mercado;

Note que a economia capitalista não vem por último da lista por acaso. Sem as garantias à liberdade individual, falar em livre mercado é piada.

http://www.rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=16355&p=336008&hilit=liberalismo#p336008

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #13 Online: 13 de Julho de 2010, 15:10 »
Citação de: Acauan, 02/10/2007 às 10:16
Citação de: Samael
Se Argentina cai num buraco sem fundo após um governo altamente privatizador, a culpa não pode ser, mais uma vez, do aclamado liberalismo.
No início do século XX os argentinos tinham a sétima renda per capita do mundo, superior inclusive à dos Estados Unidos da América.

A lição argentina pode ser resumida em uma frase muito conhecida e pouco praticada, que, de tão verdadeira em sua simplicidade, ensina mais sobre a realidade econômica do que todas as equações matemáticas que tentam reduzi-la a fórmulas:

"DINHEIRO NÃO ATURA DESAFORO".

O exemplo argentino é a prova viva do que acontece quando todo mundo está convicto de que tem o direito sagrado de aumentar seus ganhos, sem que ninguém se sinta na obrigação de melhorar sua produtividade.

No mais, a Argentina é um triste exemplo de que educação, saúde e uma melhor distribuição de renda, por si só, são incapazes de preservar a prosperidade de um povo, quanto mais de gerá-la, quanto todo um povo opta estupidamente por ser hostil ao que lhe enriquece.

http://www.rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=13674&p=289227&hilit=liberalismo#p289227

Nosso grande Samael mudou drasticamente seus pontos de vista dessa época pra cá.

Offline Herf

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #14 Online: 13 de Julho de 2010, 18:55 »
Boa coletânea.

Offline Darkside

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #15 Online: 14 de Julho de 2010, 13:30 »
Apaguei as mensagens que não tinham nada a ver com o assunto do tópico.

Vamos manter o foco.

Offline Tia Gorda

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #16 Online: 14 de Julho de 2010, 17:10 »
Apaguei as mensagens que não tinham nada a ver com o assunto do tópico.

Vamos manter o foco.

Ditador!  :emoticon17:

Muito bom tópico, aliás.  :emoticon14:

Online Lordakner

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #17 Online: 14 de Julho de 2010, 20:22 »
Citação de: Acauan, em 14/06/2009 às 18:50
Citação de: Lordakner
As cruéis guerras da época da formação do capitalismo deixaram uma mancha inapagável na história europeia. Entre elas, a Guerra dos 30 Anos (1618-1648), no século XVII, no decurso da qual foi exterminada quase um terço da população da Alemanha, na qual teve um papel decisivo o regime monárquico de Gustavo Adolfo da Suécia. A Guerra do Norte (1700-1721), desencadeada pelo rei sueco Carlos XII. A Guerra da Sucessão espanhola (1700-1714), entre a França, Espanha e Áustria. A Guerra dos 7 Anos (1756-1763), iniciada pelo rei prussiano Frederico II. As Guerras Napoleónicas (1880-1815), que afundaram toda a Europa no caos e foram a causa da morte em massa da população civil, de assassinatos e execuções de milhões de pessoas, destruição de monumentos nacionais, etc..

Agora me cite um único governante deste período que ordenou direta e expressamente o genocídio de seu próprio povo.
Nenhum?
Claro, pois isto é exclusividade dos regimes comunistas, que para além do mal das guerras e violências que fustigaram toda História, inventaram e se tornaram detentores exclusivos da política de matar sistematicamente seus governados.


Neste ponto a cavalgadura propõe a seguinte lógica:

Afirmação:
As cruéis guerras da época da formação do capitalismo deixaram uma mancha inapagável na história europeia. Entre elas, a Guerra dos 30 Anos (1618-1648), no século XVII, no decurso da qual foi exterminada quase um terço da população da Alemanha, na qual teve um papel decisivo o regime monárquico de Gustavo Adolfo da Suécia. A Guerra do Norte (1700-1721), desencadeada pelo rei sueco Carlos XII.(FATO HISTÓRICO)

"REFUTAÇÃO":

"Ah... Mas não FOI UM GOVERNANTE ordenando a morte de SEU PRÓPRIO POVO."


E Daí? O que foi afirmado é que "As cruéis guerras da época da formação do capitalismo deixaram uma mancha inapagável na história europeia."

Aí ele faz um "Tu Quoque", do tamanho da Europa e acha que refutou alguma coisa.

Sem contar os INÚMEROS MASSACRES que Governantes ORDENARAM contra O SEU PRÓPRIO POVO ( O do Czar Nicolau, por exemplo!)

Desisti do debate, devido à fraqueza explícita do adversário. :emoticon4:


O Nascedor

Por que será que o Che tem esse perigoso costume
de seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam, o manipulam o radicionam, mais renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che dizia o que pensava, e fazia o que dizia?
Não será por isso, que segue sendo tão extraordinário, num mundo em que
as palavras e os fatos raramente se encontram?
E quando se encontram, raramente se saúdam, porque não se reconhecem?

Eduardo Galeno (Uruguai)

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #18 Online: 14 de Julho de 2010, 23:23 »
Chamar o Acauan de fraco é uma piada, goste-se ou não dele.

O fato é que temos um espantalho aqui. O capitalismo não é uma engenharia social pensada no intuito de dominar uma nação ou qualquer coisa que o valha. Ele até pode ser imposto de cima, mas não surgiu naturalmente assim e nem muito menos tem esse tipo de necessidade. O que chamamos de capitalismo é uma gradual complexização de um sistema de trocas que se monetarizou pra se tornar mais eficiente. Nenhum engenheiro social pensou o capitalismo e o criou ex nihilo, como é o caso dos sistemões ditatoriais modernos. Daí, é completamente abstrato atribuir-lhe crimes de Estado.
"At see, you will be
At sea, you will see
The only place you'll ever be free..."

Offline Samael

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Re: Os defensores da liberdade deste país
« Responder #19 Online: 14 de Julho de 2010, 23:23 »
Ah, sim, o czar Nicolau foi um carniceiro sim. Mas próximo a Lênin, era uma dama.
"At see, you will be
At sea, you will see
The only place you'll ever be free..."