Clara, o problema é que Israel está cercado por forças políticas que querem o fim do país e que utilizam dos meios mais covardes e desumanos para alcançar esse objetivo, como colocar vidas inocentes na linha de fogo. E como se não bastasse, o país ainda tem que responder pelos resultados dessa guerra bárbara na qual é obrigado a lutar, pela própria existência do seu povo.
Justamente porque eu abomino os horrores da guerra é que eu vou condenar cada intento terrorista, de cada organização envolvida no conflito, antes de condenar Israel e exigir que o país seja condenado de alguma forma.
Dark, não ignoro a situação difícil de Israel.
Sei que está rodeado por vizinhos dispostos a rezar e a lutar pelo seu fim. Estou a par da história xenófoba e violenta do Hamas e da sua capacidade de instrumentalizar a dor e esgotamento de um povo humilhado, ignorado e pobre.
Mas convém considerar que:
- O argumento de direito à existência é válido para uns e para outros
- Ainda que talvez isso agora seja um pormenor, a verdade é que, concretamente, os israelitas são o invasor. Foram lá parar expulsando os que lá já estavam, ganhando um terra que lhes foi dada por quem não a poderia ter dado como prémio de consolação pelo holocausto e financiado pelos poderosos lobbies ocidentais de hebreus. - não pretendo de forma nenhuma afirmar que se pode voltar atrás com este acto - pretendo apenas tentar compreender um pouco o ponto de vista palestiniano, ou seja, como se sente.
- A politica de expansão ilegal de Israel é bem conhecida e documentada. As colónias ilegais nascem como cogumelos
- Os palestinianos mataram mais palestinianos nas últimas intifadas (principalmente durante a segunda) do que os próprios israelitas
- Se se fizer o esforço de por de lado o termo "terrorismo" (ainda a palavra da moda), é fácil de observar que os palestinianos fazem uma guerra de tipo guerrilha (com algumas variantes à guerrilha clássica, derivadas da sua cegueira fanático-religiosa), típico de povos em grande desvantagem tecnológica e numérica (como fizeram os lusitanos com os romanos, os timorenses com os indonésios, os escravos negros fugidos contra os brancos, os partigiani contra os nazis, muitos nativos de colónias contra os colonizadores, etc.)
Bom, rendo-me conta de que caio um pouco na tentação natural deste tipo de discussão que é a de atribuição de culpas.
Se este é o cerne da questão, então para mim há três culpados, a ONU, os Estados Árbaes circundantes, e decidamente, Israel. Embora pense que numa óptica de resolução (que deveria ser agora a principal) não importante quem é o grande culpado, penso que o maior culpado moral seja Israel, que se comportou - desde a primeira guerra israelo-árabe - como um invasor, para depois proclamar que apenas defendia o que era seu, fazendo-nos esquecer que o que "é seu" foi literalmente roubado.
Enfim, não é o primeiro país a fazer isto, e agora não se pode com certeza voltar atrás, mas não nos podemos esquecer - nunca - que a palestina se tornou agressora para defender o que era seu.
(sabes, à medida que escrevo apercebo-me do quanto estou descrente em relação a esta história, e que o que me vem à cabeça é: que se matem uns aos outros)
