Você fala como se os ateus militantes fossem cultistas de Ctulhu, da obra do Lovecraft, tentando promover os comportamentos mais selvagens e destrutivos possíveis entre as pessoas, de forma a destruir a sociedade como a conhecemos.
O
ateísmo militante é, eu não tenho dúvida, fundado apenas no ódio psicopático. Não há outra explicação para alguém ofender a religião alheia simplesmente porque é "religião". Essa é a ideia do ateísmo militante: tudo o que pode ser identificcado com "religião" é nocivo e deve ser eliminado, unicamente por ser "religião". Isso é doentio.
Você compreende isso ao dizer que tentar convencer os outros a abndonar suas religiões é "bizarro". Por que alguém se dedicaria a um empreendimento destes? Para mim, só a histeria irracional de manadas explica. As pessoas querem fazer parte de grupos, querem ter uma identidade, e, quando a este impulso natural junta-se uma preguiça mental fora do comum, são facilmente atraídas por movimentos que depositam todo o mal do mundo num único inimigo, simples e próximo.
O que não quer dizer que todo
ateu militante será alguém tão porco-louco assim, sempre. As pessoas vivem em sociedade e recebem influências morais de várias fontes, e as boas influências, na maioria das vezes, superam as más. Assim como você sabe que muito poucos dos que se identificam como comunistas seriam capazes de empreender um genocídio aqui e agora, sendo a grande maioria deles pessoas normais com quem você talvez não tivesse nenhuma divergência fora do restrito campo dos bate-papos políticos de boteco ou de internet, e não resta dúvida de que o comunismo é uma influência má e que deve ser eliminada, e é melhor que seja eliminada antes que, em tempos moralmente doentes, se torne a influência predominante.
Qualquer pessoa que já tenha lido algo sobre os princípios de algum humanista secular minimamente sério sabe que não é bem assim, e não esqueça que eu não sou partidário dele.
Bom, quem sabe se, afinal, eu não estou exagerando mesmo, e olhando a coisa toda apaixonadamente demais?
O fato é que hoje eu contemplo isso que chamam de "humanismo secular" e não consigo ver nada além de uma enganação - primeiro partem da ideia de que todas as religiões são o próprio Mal (o que deveria ser a conclusão parece mais com o princípio), e depois pintam uma doutrina que se adeque a esta visão de mundo e vendem-na como uma filosofia alternativa, bem fundamentada, e não como a "anti-filosofia" que é, sem fundamento algum.
Uma outra forma de expressar isso: mostre-me uma comunidade de humanistas seculares. Mostre-me pessoas vivendo suas vidas de acordo com os preceitos do tal "humanismo secular". No dia em que me mostrarem uma comunidade de humanistas seculares, assim como poderiam me mostrar uma comunidade de
amish, de mórmons ou de naturistas, eu deixarei de achar que isso não passa de um grande embuste ideológico.